A intencionalidade, antes de ser uma função de conhecimento, é primariamente uma função de um viver e o relacionamento com o objeto é, simultaneamente, um relacionamento consigo mesmo.
Desde as Investigações Lógicas, Husserl define o ato de consciência como um vivenciado (*Erlebnis*), onde “o que o eu ou a consciência vive (*erlebt*) é precisamente seu vivenciado (*Erlebnis*). Não há diferença entre o conteúdo vivido (*erlebten*) ou consciente e o vivenciado (*Erlebnis*) em si.”
O termo *Erlebnis* remete a *Leben* (vida) passando por *erleben* (vivenciar/experimentar), sendo que o verbo *erleben* torna o viver (*leben*) transitivo: eu vivo diferentes *Erlebnisse*.
O ato de consciência é intencional por se referir a um objeto, mas é vivenciado ou experimentado por se referir também a si mesmo: enquanto percebemos objetos, “nós vivemos (*erleben*) os atos de percepção.”
“Nós vivemos (*erleben*) os fenômenos como pertencentes à trama da consciência, enquanto as coisas nos aparecem como pertencentes ao mundo fenomenal. Os fenômenos em si não nos aparecem, eles são vivenciados (*sie werden erlebt*).”
A intenção objetivante se dirige tematicamente ao objeto de forma explícita, enquanto a intenção está presente a si mesma de modo implícito, não objetivante e pré-reflexivo.
A consciência que é consciência do objeto é consciência não objetivante de si, ela se vive, é *Erlebnis*, de modo que “A intenção é *Erlebnis*.”
O vivenciado estabelece um relacionamento consigo mesmo que precede toda reflexividade e toda consciência posicional e objetivante.
O relacionamento consigo mesmo estabelecido pelo ato de consciência não é temático, mas pré-reflexivo ou irrefletido.
Quando se diz: “todos os vivenciados são de consciência,” isso significa, no caso dos vivenciados intencionais, que eles são consciência de algo e estão presentes, mesmo que não sejam objeto de uma consciência reflexiva.
Os vivenciados já estão presentes no estado não refletido na forma de “fundo” (*arrière-plan*), estando prontos por princípio para serem percebidos, de maneira análoga às coisas não notadas no campo da visão externa (*Ideias I, § 45, p. 83 sq.*).
O ato reflexivo revela, acima de tudo, seu caráter de “depois” (*Nachträglichkeit*) ou “após-o-fato”: o vivenciado só pode ser refletido porque já estava lá em modo irrefletido.
Ao perceber a árvore, eu me “apreendo” simultaneamente através dessa percepção, e sem essa apreensão, o vivenciado não seria meu, mas essa apreensão não é objetivante nem reflexiva.
No ato de perceber, eu me vivo, me experimento em uma relação imediata comigo mesmo.
A experiência se desenrola e se realiza antes que o eu a tome como seu objeto, e esse desenrolar é precisamente um viver irrefletido.
O vivenciado não existe apenas no momento em que é apreendido reflexivamente: quando a reflexão o apreende, ela apreende um vivenciado que começou antes e sem ela.
O vivenciado abre uma esfera irrefletida ou pré-reflexiva que a reflexão deve trazer à luz.
“O vivenciado, realmente vivido em um certo momento, se dá no instante em que cai novamente sob o olhar da reflexão, como verdadeiramente vivido, como existindo 'agora'; não é só isso; ele se dá também como algo que acaba de existir e, na medida em que não era olhado, ele se dá precisamente como tal, como tendo existido sem ser refletido.”
Husserl distingue a alegria “vivida” (*erlebt*) mas não olhada, da alegria “olhada” (*erblickt*), concluindo que jamais há coincidência entre o que eu vivo e o que eu olho.
A possibilidade de a experiência se desenrolar sem o eu (sem que um eu a unifique *ab ovo*, pois essa unificação ocorre a posteriori no ato de reflexão subsequente) não implica uma ausência radical do eu (viver irrefletido não egológico).
Essa “ausência” do eu é, na verdade, a participação passiva de um eu sempre já lá: a consciência implícita de si mesmo no modo de um viver irrefletido não significa que a vida seja não egológica.
A estrutura do vivenciado é essencialmente ligada à originaridade e à vida: um vivenciado nasce e se esvai, ou seja, ele se torna.
“Todo vivenciado é em si mesmo um fluxo de devir, ele é o que é gerando de forma original um tipo eidético invariável: é um fluxo contínuo de retenções e protensões, mediado por uma fase, ela mesma fluente, de vivenciados originários, onde a consciência atinge o 'agora' vivo do vivenciado, em oposição ao seu 'antes' e ao seu 'depois'” (*Ideias I, § 78, p. 149*).
O devir do vivenciado é centrado no agora, ao qual Husserl confere o privilégio de fase absolutamente originária (o originário é compreendido temporalmente como presente ou agora).
A fase do agora vivo como impressão originária se opõe à retenção e à protensão.
O vivenciado está em devir, em movimento, a partir de um agora concebido como fonte jorrante de vida, um *fiat* produtor no qual a operação de consciência jorra originalmente.
Husserl estabelece no § 122 das *Ideias I* uma ligação entre a vida e a espontaneidade criadora da consciência.
O que é vivente é o que é realmente “executado” (*vollzogen*) pela consciência.
A livre espontaneidade e a livre atividade do eu são uma produção original; o eu é qualificado como fonte original de “produções” (*Erzeugungen*), de “iniciativa” (*Einsatzpunkt*), de “*fiat*.”
“Cada ato, qualquer que seja o seu tipo, pode ser iniciado no modo de espontaneidade daquilo que se pode chamar um começo criador (*schöpferisch*).”
O ato vivente, em relação a toda modificação, é uma impressão no sentido de um vivenciado originário.
O vivenciado absolutamente originário são certos protovivenciados, as “impressões,” em relação aos quais as percepções de coisas são vivenciados originários (em relação a lembranças, presentificações imaginárias, etc.).
As percepções de coisas têm em sua plenitude concreta apenas uma fase absolutamente originária que se escoa continuamente: “é o momento do agora vivo” (*Ideias I, p. 149*).
Há um redobramento da originaridade: o vivenciado irrefletido (*Urerlebnis*) é originário em relação ao vivenciado refletido (sua modificação), e dentro dessa impressão originária, uma fase — o agora vivo — detém a originaridade última, sendo precisamente essa fase qualificada de vivente.
A reflexão sobre o *Erlebnis* revela uma tensão entre dois níveis: um pré-reflexivo e originário, e outro reflexivo e derivado.
O vivenciado se doa imediatamente (define-se por sua autorreferência) e anonimamente (precede o eu consciente de sua identidade) antes de ser apreendido reflexivamente.
Entre os diversos tipos de intencionalidades, a percepção (em sentido lato de “visão” (*Einsicht*) doadora, evidência ou experiência) tem o privilégio de levar a coisa à “doação em pessoa” (*Selbstgegebenheit*).
A “apresentação” (*Gegenwärtigung*) (a percepção, que apresenta o objeto em si) é o modo originário ao qual toda “presentificação” (*Vergegenwärtigung*) (o ressouvenir, a expectativa, que o presentificam com a ajuda de uma imagem) remete como modificação intencional.
A doação em pessoa da coisa é descrita por Husserl como um modo de consciência “corpóreo” (*leibhaß*): a coisa se apresenta em carne e osso, em sua corporeidade vivente.
Husserl refere-se à “operação vivente da evidência” como consciência doadora originária, opondo-a à obscuridade da modificação retencional.
O objeto percebido “acessa a consciência em carne e osso” (*in der Wehe des “leibhaft” bewußt*); deve-se falar da “corporeidade vivente” (*Leibhaftigkeit*) do noema.
A vida é um modo de doação: a doação em carne e osso; a presença da coisa é o que dá vida à experiência.
A vida e a intencionalidade são pensadas em proximidade: é a teoria geral da intencionalidade que motiva a qualificação de um ato como vivente ou não.
Essa proximidade sugere o presságio da transição da consciência de ato para a vida intencional.
Do ponto de vista estático, o modo originário é caracterizado por sua vivacidade, enquanto o modo derivado é caracterizado pela perda progressiva dessa vivacidade.
A forma original da consciência (a experiência ou evidência) é privilegiada como centro e *telos*, sendo o “aparecer” da coisa que a doa em si mesma, em pessoa, em carne e osso, em sua verdade vivente.
A percepção doa a coisa em sua presença vivente ao dirigir-se explicitamente ao objeto.
“Quando um vivenciado intencional é atual e, consequentemente, executado no modo do *cogito*, nele o sujeito 'se dirige' ao objeto intencional. Ao *cogito* em si pertence um 'olhar para' o objeto que lhe é imanente e que, por outro lado, jorra do 'eu', esse eu não podendo, por conseguinte, jamais faltar” (*Ideias I, § 37, p. 65*).
A presença do eu é o que distingue o *cogito* de outros modos de intencionalidade, sendo essa presença o que anima o ato.
O *cogito* é um ato no qual o eu está intencionalmente engajado e no qual “vive atualmente de diferentes formas” (agindo, sofrendo, espontaneamente, receptivamente…).
É preciso distinguir o *cogito* como ato executado dos atos não executados (atos que se esvaem e esboços de atos) nos quais o eu não “vive” como sujeito operante.
“Os vivenciados puramente atuais determinam o sentido forte das expressões tais como '*cogito*', 'eu tenho consciência de algo', 'eu executo um ato de consciência'.”
A vida está do lado da consciência atual ou explícita: “o *cogito* em geral é a intencionalidade explícita.”
O *cogito* é o ato de um eu vigilante (*waches Ich*) ou acordado: “Podemos definir eu 'vigilante' (*waches*) o eu que realiza continuamente a consciência no interior do seu fluxo de vivenciado sob a forma específica do *cogito*.”
A presença da coisa em carne e osso deve-se ao polo egológico capaz de lançar um raio na direção da coisa.
O eu como centro de referência é capital porque é o que orienta o ato e lhe dá uma fonte.
O ato é vivente desde que tenha encontrado uma fonte a partir da qual pode nascer e dirigir-se ao objeto (o polo complementar).
A experiência é vivente desde que emane de um polo egológico que envia seus raios no mundo.
A presença da coisa depende da centração do ato em torno de um polo (o eu), o que implica uma presença a si mesmo, mesmo que implícita.
A evidência é vivente porque é presença a si mesma e a presença original ou vivente do objeto remete finalmente ao agora vivente (*das lebendige Jetzt*) da consciência.
A vivacidade do ato e a espontaneidade da consciência devem-se a uma criação originária espontânea da qual o ato extrai sua vida.
A análise do presente vivente remete, em última análise, a um agora absoluto não modificado, pensado em sua proximidade com a vida.
Na Fenomenologia da Consciência Íntima do Tempo (§ 8), Husserl analisa a aparição de um som como dado hylético, descrevendo o “agora” presente como vivente e a modificação retencional da impressão originária como um obscurecimento contínuo da clareza e uma vida que morre continuamente.
“toda a extensão da duração do som, ou 'o' som em sua extensão, se mantém então, por assim dizer, como algo de morto, não se produz mais de forma vivente; é uma forma que não é mais animada pelo ponto de produção do presente, mas que se modifica continuamente e cai no vazio.”
O tempo é paradoxal: sou sempre já submetido e engajado nele, mas também o faço surgir pelo meu ser mesmo.
A origem é paradoxal: fora do que produz e já dentro do que produz.
Husserl relaciona a impressão originária (simultaneamente passiva e ativa) com a vida: “A impressão originária é o começo absoluto desta produção, a fonte originária, aquilo a partir do qual se produz continuamente todo o resto.”
A impressão originária “não é ela mesma produzida,” não nasce como algo produzido, mas por *genesis spontanea*; ela é geração originária.
A impressão originária não se desenvolve (não tem germe), é criação originária.
A *Urimpression* é o “produto originário,” a “novidade,” o que se formou de modo estranho à consciência, e é “recebido” em oposição ao que é produzido pela espontaneidade própria da consciência.
Contudo, a espontaneidade própria da consciência tem como característica específica apenas aumentar e desenvolver o produto originário, mas não criar nada de “novo” (*Lições sobre o tempo, Suplemento I, p. 100*).
A *Urimpression* é a unidade arqui-originária, fora do tempo e no tempo, temporalizadora e temporalizada, a partir da qual o tempo pode ser pensado.
Essa *Urimpression* não é outra coisa senão o presente vivente ao qual o último Husserl remonta, sendo fora do tempo (como sujeito último) e no tempo (como ser individuado).
A vida em movimento contínuo só pode ser apreendida a partir de uma origem em movimento, mas a origem só é origem se é constituinte e fora do movimento.
A vida só pode ser apreendida a partir do seu interior, mas apenas como produção continuada a partir de um ponto que não lhe pertence.
A impressão contém vida, mas uma vida absolutamente iniciadora que não remete a nada além de si mesma (nascimento, gênese, geração).
A consciência só é vivente em razão dessa vida primordial que recebe sem a ter gerado: a impressão não tem germe, mas constitui um germe para as consciências que se desenvolvem a partir dela.
A impressão é geração espontânea porque não remete a nada além de si mesma: seu ser se esgota em seu modo de aparecer, que é a temporalização do fluxo.
O absoluto não é mais um princípio metafísico, mas aparece na própria experiência.
O absoluto da impressão não é totalmente estranho porque “eu pertenço a ele” (*j’en suis*), eu vivo essa impressão: antes de ter uma impressão, eu sou essa impressão.
Eu sou temporalizado por uma impressão temporalizadora que eu sou na medida em que a vivo, ou me experimento nela.
Eu sou temporalizado/temporalizante, sempre já no tempo que faço surgir na sensação.
Husserl salienta que o termo “produção” (aplicado ao contínuo do tempo) deve ser entendido no sentido próprio.
Nesse nível originário, a distinção tradicional entre receptividade passiva e espontaneidade ativa perde pertinência, pois atividade e passividade se confundem.
A descrição da *Urimpression* é inaceitável para uma lógica da não-contradição (como pode ser simultaneamente impressão, consciência impressionável, e o que é recebido passivamente pela consciência espontânea?).
O paradoxo de uma recepção ativa e espontânea indica que a vida da impressão originária está além ou aquém da oposição tradicional entre passividade e atividade.
A *Urimpression* não é o correlato objetivo de uma apreensão intencional que animaria ou interpretaria (*beseelen, deuten*) um conteúdo de sensação (esquema forma/matéria das Investigações Lógicas).
Ela não é o produto da obra de constituição ativa: é anterior à doação de sentido (*Sinngebung*) subjetiva, sendo sua fonte ou origem.
O fluxo temporal nasceria, então, de uma fonte atemporal, de um presente fora do tempo que cria o tempo, mas o presente originário parece pertencer sempre já ao fluxo da consciência.
O caráter de “recebido” da impressão não deve ser interpretado em sentido naturalista ou realista: a impressão não é o exterior da consciência ou o material amorfo, mas “o que se formou” de maneira estranha à consciência.
A impressão já é intenção de sentido, embora não seja um ato do eu no sentido de uma apreensão objetivante do material de sensação.
A impressão me torna presente ao mundo porque me torna presente a mim mesmo, antes de qualquer ato reflexivo explícito, ao me afetar.
“A aparição originária, e o fluxo originário dos modos de escoamento na aparição, é algo bem fixado, do qual temos consciência por uma 'afeição', sobre o qual podemos apenas dirigir nosso olhar.”
A impressão originária me aparece no vivenciado da afeição, o qual pressupõe um distanciamento mínimo entre o afetante e o afetado.
Nesse nível de constituição originária, esse distanciamento é a retenção, o escoamento do próprio fluxo temporal.
Essa relação consigo mesmo é, ao mesmo tempo, uma relação com o mundo, mesmo que não seja ainda um mundo de objetos.
A fusão das noções de passividade e atividade resulta da necessidade de pensar uma relação a si mesmo e ao mundo que não seja de pensamento ou de reflexão explícita, mas sim a relação sempre já tacitamente pressuposta quando a reflexão começa sua obra de constituição.
A intenção afetiva exige um novo conceito de sensibilidade: uma sensibilidade que “não é \ simplesmente um conteúdo amorfo, um fato, no sentido da psicologia empirista” mas é intencional “na medida em que situa todo conteúdo e se situa, não em relação a objetos, mas em relação a si”.
O tempo (distância ou distanciamento mínimo entre o sentir e o sentido) é a intencionalidade imanente da sensação que lhe permite ser sentida como unidade identificável, apesar de durar e se estender no fluxo do tempo.
A sensação também está no modo do esboço (*esquisse*), mas em um modo imanente.
O presente vivente só pode se apresentar a um novo presente graças ao distanciamento mínimo da retenção e da protensão a ele ligadas.
Apreender uma sensação requer que ela tenha se escoado minimamente (Husserl fala de uma “diferencial de tempo”).
O tempo e a percepção surgem apenas no nível da modificação da impressão na série contínua das retenções.
A consciência está, assim, sempre atrasada em relação a si mesma ou sempre já se precedeu.
A presença é aqui privilegiada, mas é uma presença particular que precisa se ausentar para se apresentar como tal: é no distanciamento mínimo da retenção que a impressão originária se torna presença para e presença a; ela só aparece ao se modificar retencionalmente.
Essa modificação retencional não é um ato no sentido próprio, mas um evento: “O distanciamento da *Urimpression* — é o primeiro evento de si, do distanciamento da defasagem, que não se trata de constatar em relação a um outro tempo, mas em relação a uma outra proto-impressão que está, ela mesma, 'no lance': o olhar que constata o distanciamento é esse mesmo distanciamento. A consciência do tempo não é uma reflexão sobre o tempo, mas a própria temporalização: o após-o-fato da tomada de consciência é o próprio após do tempo.”
Essa proximidade da vida e do evento aquém do ato objetivante sugere um novo modo de presença: só há presença (mesmo transcendente) temporal, ou seja, só há presença individual: “o que é identicamente o mesmo pode bem ser agora e passado, mas somente porque durou entre o passado e o agora.”
O aspecto decisivo nesse nível originário é que a consciência não é pensada como constituinte, mas como evento ou vida.
A *Urimpression* questiona a separação entre consciência e mundo: é ela a presença ao mundo anterior à dualidade sujeito/objeto, ou a busca ilusória por coincidir com a origem da própria vida, sem nunca ultrapassar o dado.
A Segunda Meditação Cartesiana evoca a “experiência pura e, por assim dizer, muda ainda, que se trata de levar à expressão pura de seu próprio sentido,” sugerindo que a experiência muda é essa vida absoluta que precisa sair do seu silêncio, explicitando seu sentido.
Essa vida é revelada como tal somente se seu caráter de irreflexão (que precede todo ato reflexivo) é preservado pela atividade de elucidação.
Husserl oscila entre duas concepções inconciliáveis: há uma intencionalidade latente ou operante, mas ela permanece subordinada à intencionalidade autêntica (que visa o objeto idêntico e o conhecimento).
Há uma dimensão de passividade afetiva em todos os níveis da constituição, mas ela não tem função de conhecimento.
Por um lado, Husserl compreende a necessidade de pensar o além ou aquém da atividade reflexiva de um sujeito; por outro, o eu permanece até o fim como o centro de referência, e o pré-reflexivo só tem sentido em relação ao polo do pensamento reflexivo.