## A Experiência do Niilismo Europeu e o Caminho de Superação de Nishitani
* A experiência pessoal do niilismo europeu e o colapso do fundamento metafísico
A experiência pessoal da “moléstia do niilismo europeu” por Nishitani, surgida do “rápido colapso” da filosofia metafísica tradicional e da “morte de Deus,” conforme anunciada por Nietzsche
A totalidade da visão de mundo que nutria a vida espiritual da Europa por mais de dois mil anos sendo lançada em questão de uma só vez
O fundamento da vida europeia não apenas se rachando, mas se colapsando por completo, abrindo um abismo que lançou todas as formas de significado, segurança e esperança em dúvida radical
O surgimento de um grande desespero, pelo menos entre a *intelligentsia*, e a única via para além dele sendo a de deslocar as garantias da fé religiosa e do raciocínio metafísico para o eu
* O enfrentamento do abismo pela vontade de poder
A coragem para enfrentar o abismo exigindo viver sem garantias e, no entanto, viver uma vida apaixonada fundamentada nas próprias escolhas
A superação deste niilismo demandada pela revelação da “nilidade” no cerne da existência, através de pura determinação para criar e traçar o próprio destino histórico
O niilismo sendo superado ao se admitir primeiro a verdade da nilidade e depois se escolher viver em face dela
Os valores antigos surgindo de fora do indivíduo, contrastando com os novos valores nietzschianos, que vêm dos seres humanos
Os novos valores empoderando e encorajando cada pessoa a criar valores para si mesma, o que traz à tona uma “vontade de poder”
A capacidade de não mais se deixar prender pela gravidade de tradições passadas, valores antigos que impediam a criação de valores próprios, e ameaças de danação eterna e punição divina
* O método de superação: “através do niilismo”
O argumento de Nishitani de que a única forma de derrotar o niilismo é “através do niilismo,” tendo Friedrich Nietzsche como guia
O reenquadramento do entendimento de niilismo como a base para a sua superação, ideia em que se baseava o *Assim Falou Zaratustra* de Nietzsche
A necessidade de investigar o que constituía a vida do Cristianismo e as lentas implicações de sua queda, resultando na necessidade de novos valores, após o anúncio da “morte de Deus”
O colapso do Cristianismo tendo esvaziado “o fundamento dos ideais e valores recebidos,” segundo Nishitani
* A crise das garantias cristãs e o niilismo resultante
O Cristianismo tendo concedido o “valor absoluto” ao ser humano como a “imagem de Deus” na terra, protegendo seus seguidores do desespero perante a falta de significado da existência humana
O Cristianismo tendo combatido a existência real do mal e do sofrimento no mundo ao postular um plano divino que lhes dava significado
O ensinamento cristão tendo garantido uma moralidade dada por Deus, diminuindo a inclinação ao suicídio físico devido a um sentimento de falta de esperança
A morte de Deus tendo retirado todas estas garantias, deixando o potencial para um abismo de desesperança
A moralidade cristã tendo ensinado que os seres humanos eram fracos (“os mansos herdarão a terra”) e que o mundo está cheio de sofrimento e mal
As crenças no Céu e no Dia do Juízo Final sendo uma negação deste mundo como bom, levando a um “ódio do natural,” a uma justificação da preferência pelo fraco sobre o forte, e culminando na negação das paixões
O Cristianismo tendo produzido um “niilismo europeu,” apesar de ter nascido como um antídoto ao niilismo de sua época
* A “vontade de poder” como superação
O colapso do Cristianismo tendo proporcionado um novo olhar sobre o que, para Nietzsche, era uma filosofia negadora do mundo
Este novo niilismo, em suas profundezas, tendo gerado uma nova superação do niilismo, a “vontade de poder”
O amor de si e do mundo tal como são colocado no lugar de Deus, como argumentado por Nietzsche
A substituição da aversão de si dos humanos como seres luxuriosos e eróticos por uma visão de humanos como seres eróticos orgulhosos, poderosos que amavam a vida e eram capazes de criar significado e valores para si mesmos
O prazer sendo um sinal da plenitude da vida e do estabelecimento de valores que afirmam a vida
O “além-do-homem” (*übermensch*) de Nietzsche como um exemplo ficcional de alguém que vive de forma positiva e afirma a vida, dizendo “sim” (*yea-saying*) ao mundo e à própria existência
O além-do-homem exibindo o poder e a força para dar significado a um mundo sem significado
* O mito do eterno retorno e a criação de significado
O ensinamento de Nietzsche de que se deve amar o mundo que se ajudou a modelar a tal ponto que se estaria disposto a aceitar seu valor mesmo se estivesse comprometido a revivê-lo exatamente como ele é, sempre e sempre através da eternidade
O “mito do eterno retorno” como um teste do valor da vida que se criou, para verificar se se pode querer a sua existência sem fim
A superação de Nietzsche do niilismo exposto após o esboroar dos valores impostos do Cristianismo se dando através do “dizer-sim”
A niilidade referindo-se àquilo que torna o significado da vida em falta de significado
A afirmação da capacidade de se criar significado e valores dignos para si mesmo
* A religião como autoconsciência da realidade e a perspectiva cósmica
A religião surgindo quando o significado, incluindo o sentido da própria existência, está em dúvida ou ausente
O abrir de um abismo na própria base em que se está, quando se questiona o significado da própria existência
A presença constante do abismo, “sempre mesmo debaixo do pé,” devido ao fato de tudo o que se ama, valoriza e encontra significado ser intrinsecamente frágil e perecível
A definição de religião por Nishitani como a “autêntica autoconsciência da realidade”
A realidade se atualizando em e através dos humanos, infundindo significado de volta à existência, de forma consoante com o entendimento budista
A visão de Nishitani da “criação” como a automanifestação do nada (ou Deus), ecoando Nishida
A mudança de perspectiva resultante do ego individual para uma perspectiva cósmica
Cada indivíduo sendo parte da divindade e, como tal, compartilhando o propósito e a natureza exploratória do absoluto
Cada indivíduo e o cosmos como um todo sendo novamente preenchidos com significado e propósito
A paisagem plana da falta de significado e do desespero dando lugar a uma paisagem robusta de esperança e valor intrínseco.
PS: CARTER, Robert Edgar. The Kyoto school: an introduction. Albany (N.Y.): State university of New York press, 2013